Como avaliar o portfólio de quem faz sites
O portfólio impressiona no computador de quem apresenta. Abra os mesmos sites no seu celular e veja o que continua de pé.

Portfólio serve para responder uma pergunta só: essa pessoa já fez, para outro negócio, algo parecido com o que o meu precisa? Não é concurso de beleza, e a avaliação não se faz olhando imagens numa apresentação. Faz-se abrindo os endereços, no seu celular, na sua internet, como faria um cliente que veio da busca. O que sobrevive a isso é o que você está contratando.
Vale começar por uma distinção que muda tudo: imagem de tela não é site. Uma composição bonita pode ter sido feita em editor de imagem e nunca ter existido no ar. Sem um endereço para abrir, você não consegue testar o funcionamento de nada.
O que um portfólio prova — e o que não prova
- Prova: que aquelas páginas existem, abrem, e estão organizadas de determinado jeito. Você pode conferir sozinho.
- Prova: a variedade de tipos de negócio que a pessoa já teve de entender.
- Não prova: resultado comercial. Site no ar não diz quantas vendas aconteceram, e nenhuma captura de tela mostra faturamento.
- Não prova: que todo trabalho apresentado é de um cliente contratante. Alguns podem ser demonstrações feitas pelo próprio fornecedor — o que é legítimo, desde que dito.
- Não prova: que quem apresenta fez tudo. Vale perguntar o que foi feito por quem: texto, foto, código, marca.
Peça o endereço, não a imagem. E pergunte, de frente, quais trabalhos são de clientes e quais são demonstrações.
Antes de olhar, escreva o que o seu site precisa fazer
Sem isso, você vai julgar por gosto — e gosto sobre o site do outro é a informação menos útil que existe. Escreva em uma linha o que o seu precisa: receber pedido pelo WhatsApp, ser encontrado por quem procura o serviço na cidade, mostrar cinco unidades sem confundir, apresentar um catálogo que muda. Depois avalie o portfólio contra essa linha.
O roteiro, no celular, um site por vez
Reserve quinze minutos e faça na ordem. Use dados móveis, não só o wi-fi de casa.
- Abra pelo endereço, direto. Não pela home apresentada. Se possível, procure o negócio no Google e entre por lá — é o caminho real.
- Conte os segundos até enxergar alguma coisa útil. O Google trata como boa experiência de carregamento a página cujo maior elemento visível aparece em até 2,5 segundos. Você não precisa de cronômetro: uma tela em branco de cinco segundos é percebida sem instrumento.
- Leia a primeira tela e responda três perguntas: que negócio é esse, o que ele faz e como falo com ele. Se você não responde, quem chega também não responde.
- Toque no botão principal. Abre o WhatsApp? Vem mensagem pronta? Cai num formulário que pede oito campos? Percorra o caminho até o fim, e não só até o clique.
- Role a página inteira olhando o texto. Procure fato: número, condição, horário, nome do serviço. Se só houver adjetivo, a página está vazia.
- Entre em uma página interna — um serviço, uma unidade, um produto. Ela tem conteúdo próprio ou é o mesmo texto com uma palavra trocada?
- Gire o celular e amplie o texto. Alguma coisa se sobrepõe, corta ou some? Botão que fica atrás de outro elemento é defeito visível.
- Toque em tudo que parece clicável. Menu, links do rodapé, redes sociais. Link morto e rede social vazia são o tipo de detalhe que ninguém conferiu.
- Repita em dois sites do mesmo portfólio. Aqui aparece a diferença que mais importa: eles são o mesmo site com cores trocadas, ou cada negócio ganhou a estrutura de que precisa?
Como medir a velocidade
Se quiser passar da impressão para o número, existem ferramentas gratuitas que medem as chamadas Core Web Vitals. São três métricas, e duas delas têm limites fáceis de guardar: o carregamento do maior elemento visível (LCP) em até 2,5 segundos, e a resposta a uma interação (INP) em até 200 milissegundos. Elas descrevem experiência de uso — não são nota de qualidade do negócio, nem garantia de posição na busca. Um site pode ser rápido e não responder nada; um site pode ser um pouco mais lento e vender bem.
Cinco perguntas para quem apresenta o portfólio
- Quais desses são de clientes e quais são demonstrações?
- O que exatamente você fez em cada um — texto, fotos, marca, código?
- Quem escreveu os textos, e de onde vieram as informações publicadas?
- Depois de publicado, como se altera um preço, um horário, uma foto? Quem faz?
- De quem é o domínio, os arquivos e os acessos ao final do trabalho?
As duas últimas separam quem entrega uma página de quem entrega algo que você consegue manter. Na quinta, confirme a titularidade do domínio e os acessos necessários para administrar ou transferir o que foi contratado.
O que não é critério
- A ferramenta usada. Construtor visual, gerenciador de conteúdo ou código próprio: cada caminho tem trocas de vantagem e desvantagem, e nenhum garante um bom site sozinho. O que você avalia é o resultado que abriu no seu celular.
- Gostar do visual de um nicho que não é o seu. Um site de papelaria artesanal não deveria parecer com um de oficina. Diferença aqui é sinal bom.
- Quantidade de trabalhos. Trinta páginas iguais informam menos que cinco páginas diferentes entre si.
- Prêmio ou selo que você não consegue verificar em fonte independente.
Deixe registrado o que você viu
Anote, para cada site aberto: endereço, o que ele precisava resolver, o que você achou bom, o que travou. Três linhas por site. Ao comparar dois fornecedores, essa folha decide melhor do que a memória — que guarda a apresentação mais simpática, não a página que funcionou.
Em resumo
- Peça endereços que abram, não imagens de tela.
- Escreva antes o que o seu site precisa fazer, e julgue contra isso.
- Abra no celular, com dados móveis, entrando direto na página.
- Percorra o botão de contato até o fim, não só até o clique.
- Compare duas páginas internas: conteúdo próprio ou texto repetido?
- Pergunte o que é cliente, o que é demonstração e o que a pessoa fez.
- Confirme a titularidade do domínio e os acessos para administrar o que foi contratado.
- A ferramenta usada não é o critério; o resultado observado é.
Nosso acervo está aberto justamente para esse tipo de conferência: abra os sites criados no seu celular e aplique o roteiro. Depois, se fizer sentido, conte o que o seu negócio precisa.