O que todos têm em comum
Olhe os sete de novo, no celular. Por mais diferentes que sejam, há cinco coisas que se repetem — e não por coincidência.
- O caminho para falar está na primeira tela. WhatsApp com a mensagem pronta, em todos. Ninguém precisa procurar "contato" no menu.
- Cada coisa importante tem a sua página. Casa, serviço, passeio, sabor. É o que faz o Google ter o que mostrar e a pessoa achar o que procura.
- O que mostra o negócio é do negócio. Foto do lugar é do lugar; ilustração, quando existe, não finge ser a empresa.
- Abrem rápido no celular. Código próprio, sem plataforma pesada por baixo — e o celular é por onde a maior parte chega.
- Cada um tem a própria cara. A clínica não parece a oficina, a pousada não parece a papelaria. O mesmo cuidado, resultados diferentes — porque os negócios são diferentes.
O que se repete é o método. O que muda é o negócio — e é o negócio que manda.
Há uma sexta coisa em comum, menos visível: em todos, o que está escrito foi conferido com quem faz o negócio antes de ir ao ar. Capacidade, horário, o que inclui, o que não faz. Parece detalhe até o dia em que um cliente chega contando com o que a página prometeu — e é por isso que a apuração vem antes do desenho em todos os sete, sem exceção.
Hospedagem: a ficha que não pode errar
Casa Paraíso e Residencial Maria Rita são o mesmo ramo com problemas diferentes. Uma casa só, de alto padrão, precisa mostrar cada ambiente e responder ao que um grupo pergunta antes de reservar: quantos dormem, tem ar em todos os quartos, tem piscina aquecida, aceita pet, quão longe fica a praia de verdade. Várias casas num residencial precisam, além disso, de comparação: qual serve para o meu grupo?
O detalhe que decide
Em hospedagem, a informação errada custa caro na porta. Se o site diz dez pessoas e há camas para nove, alguém dorme no sofá e a avaliação vem ruim. Por isso o trabalho, nos dois casos, foi apuração antes de desenho: cama por cama, quarto por quarto, até a conta fechar. E distância medida no mapa, não copiada de um anúncio antigo que trazia três números diferentes.
O que vale copiar, se o seu ramo é esse
Uma página por unidade, com capacidade e camas por quarto; a distância até o que importa (praia, centro, aeroporto) medida e escrita uma vez só; as regras que geram conflito ditas antes — pet, criança, horário de entrada, o que acontece se cancelar; e o pedido de reserva que já leva a casa e as datas na mensagem, para a conversa começar pelo que interessa.
E há o idioma. Uma casa numa região que recebe estrangeiros precisa falar com eles — o site da Casa Paraíso existe em português, espanhol e inglês, cada versão com a sua página, porque quem procura em espanhol encontra em espanhol.
Serviço com pressa: clínica e oficina
Vet do Pet e Vicmar têm em comum o cliente com urgência. O animal está mal; o carro está amassado. Essa pessoa não quer ler uma apresentação institucional. Quer saber, em segundos: atende isso? atende agora? onde? como falo?
A resposta de desenho é a mesma nos dois: o essencial na primeira tela, o serviço específico com a própria página (para quem procura "polimento" ou "vacina" achar exatamente isso), e o caminho mais curto para a conversa. Na oficina, o caminho tem um atalho a mais — mandar a foto do amassado pelo WhatsApp, que é como o orçamento acontece de verdade.
Onde o cuidado aparece
Em serviço, a prova é a foto do trabalho feito. Não a foto da fachada, nem a da equipe posando: o carro pintado, o animal atendido, o antes e o depois quando existe. É o que convence quem está comparando três oficinas na tela do celular.
O que vale copiar, se o seu ramo é esse
Horário e telefone visíveis sem rolar; a lista de serviços como lista de páginas, não como parágrafo; uma resposta à pergunta "atende isso?" para cada serviço, com a foto do resultado; e o atalho que o seu atendimento já usa — a foto do problema, o pedido de horário, o que for — transformado no botão da página.
Produto com história: alimentação e artesanato
Cocada da Maria e Testarudo! vendem coisas feitas à mão, e o site precisa transmitir isso sem dizer "artesanal" a cada frase. O que faz esse trabalho é a foto de perto — a textura da cocada, a costura do caderno — e o texto que conta de onde vem, quem faz e como.
Nos dois casos a decisão foi não fazer loja virtual. O pedido continua sendo uma conversa, porque é assim que esses negócios vendem: a pessoa pergunta, escolhe, combina a entrega. O site organiza o catálogo, mostra e leva à conversa; não tenta substituir o atendimento que é parte do produto.
O que vale copiar, se o seu ramo é esse
Foto de perto antes de qualquer texto; um item por página quando cada item tem história própria; a origem e o modo de fazer contados uma vez, bem; e a encomenda como conversa, com o que a pessoa escolheu já na mensagem — em vez de um carrinho que exige cadastro para um pedido que se resolve em três linhas.
Em resumo
- Hospedagem: ficha conferida, idioma de quem procura
- Serviço com pressa: resposta na primeira tela, prova em foto
- Produto com história: foto de perto, pedido em conversa
Turismo: vender o que a pessoa vai viver
Porto Travel vende transfer e passeio, e o cliente está a centenas de quilômetros, planejando. Ele não vai visitar a empresa antes de contratar; o site é a empresa. Precisa então de duas coisas que os outros ramos precisam menos: mostrar a experiência (a praia, o barco, o caminho) e organizar a oferta por tipo, para que quem quer só o transfer não se perca no meio dos roteiros.
O pedido leva o serviço na mensagem — "quero o transfer do aeroporto para tal dia" — porque, para quem está planejando de longe, escrever a pergunta certa é metade do trabalho, e o site faz isso por ele.
O que vale copiar, se o seu ramo é esse
A oferta separada por tipo, com uma página para cada; a foto do que acontece, não do escritório; o que está incluído e o que não está, escrito antes que perguntem; e o pedido que já nasce com serviço e data, para quem está longe não precisar explicar do zero.
O que não está em nenhum deles — e por quê
Também se aprende pelo que falta. Nenhum dos sete tem:
- Janela que pula na cara pedindo e-mail ou oferecendo desconto. Quem chegou quer ver a página; interromper é perder.
- Carrossel de banner girando sozinho. Quase ninguém lê o segundo slide, e o primeiro some antes de ser lido.
- Contador de "clientes atendidos" ou selo de "melhor do ano". Número que ninguém confere não convence ninguém.
- Texto institucional na primeira tela. "Somos uma empresa comprometida com..." não responde a nenhuma pergunta de quem procura.
- Formulário longo. Nome, e-mail, telefone, assunto, mensagem, aceite — para uma pergunta que cabe numa linha de WhatsApp.
Cada uma dessas coisas existe em milhares de sites porque vem no modelo. Nenhuma ajuda quem procura, e tirar todas é parte do que faz uma página parecer feita para o negócio, e não para o construtor.
E o seu?
Se o seu negócio é de um destes ramos, você já viu o que a página precisa fazer. Se é de outro, a pergunta é a mesma que fizemos nos sete: o que a pessoa que procura você quer saber em dez segundos, e o que ela precisa fazer em seguida? A resposta a isso desenha o site — antes de qualquer cor.
Um exercício de dois minutos
Pegue o celular e finja que é um cliente que ouviu falar de você hoje. Procure o nome da sua empresa no Google. Abra o que aparecer. Agora responda: em dez segundos, deu para entender o que você faz? Deu para saber se você atende o que a pessoa precisa? Achou como falar com você sem procurar? Se alguma resposta foi "não", você acabou de encontrar o que o seu site precisa fazer primeiro. É exatamente por aí que os sete acima começaram.
Veja como um site é feito, ou conte o que a sua empresa faz — a mensagem abre pronta no WhatsApp.