Textos para site: como transformar o que você já sabe em texto útil

Você já sabe explicar o seu negócio no balcão. O trabalho é passar isso para a tela sem virar texto de folheto.

Equipe Obrena6 min de leitura

Página inicial do site Cocada da Maria: título em serifa e foto do tacho de cobre
Cocada da Maria, um dos sites do acervo Sites Criados. Captura do site.

Texto de site sem informação costuma ter a mesma origem: alguém sentou na frente da tela e tentou inventar o que escrever. Texto de site não se inventa — se apura. A informação já existe, e ela está nas respostas que você dá no balcão, no WhatsApp e no telefone todos os dias. O trabalho é tirar isso de lá, escrever do jeito que você fala e conferir cada afirmação antes de publicar.

O sinal de que o texto foi inventado é fácil de reconhecer: ele poderia estar no site de qualquer concorrente. "Qualidade e tradição", "atendimento diferenciado", "os melhores produtos da região". Troque o nome no topo e nada quebra. Texto que serve para qualquer negócio não ajuda a escolher o seu.

Escrever é apurar, não criar

Comece pelo material que já existe. Três fontes, todas suas:

  • As últimas trinta conversas de WhatsApp. As perguntas repetidas viram seções do site, e as respostas que você já digitou são a primeira versão do texto.
  • O que você diz quando alguém pergunta o preço. Ali estão os fatos que sustentam o valor: como é feito, quanto tempo leva, o que está incluído.
  • O que os clientes elogiam sem você pedir. É o que o seu negócio tem de específico, dito por quem comprou.

Um método que funciona para quem trava na frente da tela: grave um áudio de três minutos explicando o produto para um amigo que nunca comprou. Transcreva. Corte os "né" e as repetições. O que sobra costuma ser melhor do que qualquer coisa escrita "no estilo site".

Troque adjetivo por fato

Esta é a troca que, sozinha, muda mais coisa no texto. Adjetivo é a sua opinião sobre você; fato é o que a pessoa usa para decidir.

  • Antes: "doces artesanais de alta qualidade". Depois: "coco aberto na hora, tacho de cobre, ponto medido pela mão — não por timer".
  • Antes: "grande variedade de sabores". Depois: "três sabores. A receita pede paciência, não variedade".
  • Antes: "produto sempre fresco". Depois: "feita sob encomenda, conforme a data combinada".

Os textos da direita são do site da Cocada da Maria. Repare no que aconteceu: nenhuma palavra ficou mais bonita, mas todas ficaram verificáveis. "Alta qualidade" é uma opinião; "tacho de cobre" é uma coisa que existe. E há um efeito colateral bom — limitação virou informação: três sabores, dito assim, deixa de ser pouco e passa a ser escolha.

Pegue qualquer parágrafo do seu site e risque todo adjetivo. O que sobrar é o que você realmente está dizendo.

Descrição de item: específico vence completo

Descrever um produto ou serviço não é listar tudo o que ele tem. É dizer o que a pessoa não descobriria sozinha pela foto. Compare "cocada de maracujá, deliciosa e refrescante" com "polpa fresca, semente inteira, acidez que corta o doce". A segunda diz o gosto. A primeira diz que você gosta.

Três perguntas que produzem descrição específica de qualquer coisa:

  1. O que se percebe de perto e não aparece na foto? (textura, cheiro, peso, som, tamanho real)
  2. O que é diferente aqui do que se compra em qualquer lugar?
  3. Para quem esse item não serve? Dizer isso poupa devolução e reclamação.

Quando o preço não pode ir para o site

Muito negócio trabalha com valor que depende de quantidade, data ou combinação, e nem sempre existe tabela aplicável. Quando não houver, a saída não é fingir que preço não existe: é explicar quais condições definem o valor. "Sob consulta" sozinho parece fuga; "sob consulta, valor fechado no WhatsApp conforme quantidade e data" explica o mecanismo, e a pessoa sabe o que vai acontecer quando mandar mensagem.

O mesmo vale para prazo, entrega e disponibilidade. Se o dado varia, escreva a regra da variação em vez de um número que você não cumpre sempre.

História: só entra se for verdade e se ajudar a decidir

Todo mundo quer contar a origem do negócio, e boa parte dos textos de "quem somos" fala do fundador em vez de falar de quem vai comprar. História serve quando explica alguma coisa que a pessoa está avaliando. No site da Cocada da Maria, a origem é usada para explicar a receita — e a receita é o que está sendo vendido.

Duas cautelas ao escrever a sua:

  • Datas e números são compromissos. "Desde 1965" e "três gerações" precisam ser verdade e precisam vir de você — não de uma estimativa de quem escreve.
  • Não estique o que você tem. Ter feito muitos trabalhos não autoriza afirmar que todos deram certo. O que a sua fonte sustenta é o limite do que o texto pode dizer.

Os cinco textos que decidem quase tudo

  1. O título da página. O que é + para quem + onde. É o que aparece na busca e no link compartilhado.
  2. A primeira frase. Ela responde "cheguei no lugar certo?". Não desperdice com "bem-vindo ao nosso site".
  3. A descrição de cada item. Específica, com o que não se vê na foto.
  4. As respostas de dúvida. Escritas como você responderia, mas conferidas: horário, cancelamento, o que está incluído. Uma vez publicadas, elas valem para o cliente — o site do Residencial Maria Rita, por exemplo, publica check-in, política de cancelamento e o que é fornecido, e é por essas linhas que a conversa passa depois.
  5. O texto do botão. Nomeie a ação, não o conceito: "encomendar pelo WhatsApp" diz o que vai acontecer; "saiba mais" não.

A revisão em quatro passadas

  1. Passada do adjetivo: risque todos. Reescreva as frases que ficaram vazias.
  2. Passada do fato: marque cada número, data, prazo e condição. O que você não confirma hoje, sai.
  3. Passada da voz: leia em voz alta. Se você não falaria assim no balcão, reescreva.
  4. Passada de quem não conhece: peça a alguém de fora para ler e dizer o que o negócio faz e como se compra. O que essa pessoa não souber responder é o que falta escrever.

Em resumo

  • O texto já existe nas suas conversas — apure em vez de inventar.
  • Grave um áudio explicando para um amigo e transcreva.
  • Risque adjetivo e coloque fato no lugar.
  • Descreva o que não aparece na foto, e diga para quem não serve.
  • Preço variável: explique a regra, não some com o assunto.
  • História só quando explica o que a pessoa está comprando.
  • Botão nomeia a ação; resposta de dúvida vira compromisso.
  • Revise em quatro passadas: adjetivo, fato, voz, leitor de fora.

Comece juntando o material com o roteiro de briefing, e veja nos sites criados como negócios diferentes falam de formas diferentes — sem parecer o mesmo texto com o nome trocado.